sábado, 13 de junho de 2015

Quando devo procurar terapia?

Como colocado em um post anterior, o consultório terapêutico ainda é recheado de mitos que acabam por atrasar a procura. Em minha prática, tenho percebido que a procura por um psiquiatra, ainda que seja difícil para algumas pessoas, tornou-se menos problemática, talvez devido à grande medicalização ocorrida hoje em dia, assim como à necessidade de uma cura rápida, sintoma de nossos tempos modernos. Gostaria de esclarecer que sou totalmente à favor da medicação quando bem administrada e para aqueles que realmente necessitem.
Fato é que qualquer pessoa que sinta a necessidade de procurar terapia pode e deve fazê-lo, no entanto, alguns exemplos abaixo mostram quando seria imprescindível:

1) "Sinto que tenho perdido o interesse por coisas que antes eram importantes para mim, tenho vontade de ficar deitado o tempo todo, tenho apresentado cansaço constante, problemas de sono, mudanças na alimentação, estou mais sentimental do que antes, às vezes sinto um grande vazio."
2) "Tenho grande dificuldade em relaxar, as preocupações tomam conta de mim constantemente; mesmo que esteja tudo bem, a sensação é de que a qualquer momento algo de ruim vai acontecer."
3) "Tenho crises de ansiedade quando próximo a algo que me dá medo, ou mesmo que não tenha nada que possa me deixar assim. Já cheguei a pensar que iria morrer."
4) "Preciso verificar coisas constantemente ou me prendo a rituais que me trazem grande sofrimento. Tenho medo de que meus pensamentos sejam ou se tornem verdade."
5) "Sou muito explosivo, tenho grande dificuldade de lidar com minhas emoções; pessoas próximas  tem se afastado ou percebo que tem medo de mim."
6) "Tenho muita dificuldade de me aproximar das pessoas, nunca sei o que dizer, tenho medo do que elas podem pensar de mim."
7) "Tenho dificuldade em me aceitar, acho que há algo de errado comigo e isso me deixa muito mal."
8) "Estou constantemente estressado, não tenho conseguido fazer meu trabalho como antes, minhas relações tem se desgastado, tenho sentido dores pelo corpo que não apresentam nenhuma causa aparente."

Independente dos exemplos acima é sempre importante pensar a nível de prejuízo e sofrimento: sente que suas relações familiares, sociais estão prejudicadas? Você não se sente bem por conta de algo que tem ocorrido ou simplesmente não se sente bem há um tempo? Não hesite, procure a terapia! O medicamento, como dito anteriormente, é essencial em muitos casos, no entanto, a não ser que sejam causas puramente neurológicas, a terapia é necessária em conjunto, pois te ajudará a encontrar a causa do seu sofrimento, assim como auxiliá-lo com novas formas de olhar e de lidar com a situação angustiante para que você tenha uma melhora de fato significativa.
Se os mitos ainda te atrapalharem, dê uma olhadinha no nosso post anterior: http://consultoriotcc.blogspot.com.br/2015/04/nao-deixe-os-mitos-tomarem-conta-de-voce.html


Por Mayla Diniz

*Imagem retirada da internet

terça-feira, 2 de junho de 2015

Habilidades Sociais para Fobia Social e Depressão

Nesse breve texto exemplificarei o THS e a forma de tratamento na Ansiedade/fobia social e na depressão.
Fobia social
A fobia social, pode ser definida, como um estado de ansiedade que provem da expectativa ou presença da avaliação interpessoal em lugares sociais imaginários ou reais (Leary, 1983) e a forma como esse indivíduo vai ser avaliado ou percebido pelos demais, de forma real, como ele interage ou de forma imaginaria de forma como ele considera uma interação, pensa ou até supõe de como estão pensando sobre ele.
Existem vários programas de THS para o tratamento da ansiedade social um deles é o proposto por Turner, beidel e Colley (1994), que apresentam um programa de tratamento baseado em quatro componentes: 1) Educativo (psicoeducação), Trata-se de informar os pacientes  sobre a natureza da ansiedade e natureza dos temores sociais; 2) THS; 3) Exposição, pode constituir em inundação in vivo ou na imaginação; 4) Pratica programada, que são atividades de exposição dirigidas pelo terapeuta que o indivíduo termina sozinho no ambiente natural.
O componente THS, é traçado para ensinar e/ou refinar as HS do indivíduo e proporcionar pratica nas interações sociais. Ele é dividido em três partes que são: 1) dar-se conta do ambiente social. Aqui ensina-se o indivíduo quando, como e onde iniciar e terminar as interações interpessoais; 2) melhora nas habilidades interpessoais. O indivíduo aprende os aspectos verbais e não verbais das relações sociais adequadas, centrando-se nas áreas problemáticas que são idiossincráticas dos indivíduos em fobia social; 3) Melhora das habilidades para falar em público. Ensina-se aos participantes os elementos essenciais do falar em público, incluindo a construção do que há de dizer e sua apresentação (Caballo, 2003)
Essas três partes abordam um conjunto comum em grande parte dos fóbicos sociais e os temas incluídos do THS são: Iniciar conversações; Temas apropriados e manter conversações; Prestar atenção e lembrar, mudança de temas; Estabelecer e manter amizades, habilidades para telefonar; interações heterossociais; habilidades assertivas; Escolher um tema e desenvolve-lo; estratégias para evitar que o público se distraia e como começar uma palestra de forma eficaz; Terminar uma palestra, forma e linguagem; Elementos não verbais, discussões e conversas informais, participação de congressos, jornadas.
Esse programa é utilizado quando a ansiedade do indivíduo em questão o impede de ter relações satisfatórias no campo interpessoal, e isso traz a ele malefícios ou desconforto em sua vida. Nem todo tipo de ansiedade é associada a baixa HS e a falta de interação social.
Depressão
A depressão é caracterizada pelo rebaixamento de humor ou por um estado de ânimo baixo, associada pela perda generalizada pelo interesse ou prazer, acompanhados por uma seria de sintomas como, perturbações no sono, do apetite, do peso ou da atividade psicomotora. O THS nesse caso é realizado caso o quadro depressivo esteja associado a um funcionamento social inadequado (Becker, Heimberg e Ballack, 1987)
O comportamento interpessoal inadequado pode ser decorrente de uma série de fatores, como exposição insuficientes a modelos interpessoalmente hábeis,  aprendizagem de comportamentos interpessoais  desadaptativos, oportunidades insuficientes para praticas hábitos interpessoais importantes, a diminuição progressiva das habilidades comportamentais especificas devido a falta de utilização e o fracasso em reconhecer os sinais ambientais para comportamentos interpessoais concretos. (Becker e Heimberg, 1985)
O programa de THS baseia-se nos seguintes temas: 1) Mudança do turno de palavra; 2) Mudanças de temas de conversação; 3) Esclarecimentos das comunicações dos outros; 4) Persistência, referindo-se a sinais que indiquem ambivalência na outra pessoa; 5) dar-se conta da emoção do outro; 6) Manifestações de futuros reforços ou castigo por parte do outro; 7) lembrar se determinados comportamentos foram bem recebidos no passado; 8) estar preparado para possíveis respostas imprevisíveis nos demais. Esses pontos estão relacionados as habilidades de conversação, os outros dois aspectos importantes para o tratamento da depressão são, asserção negativa, que está ligada a comportamentos que as pessoas defendam seus objetivos com a base em seus interesses e a asserção positiva, que se refere a expressão de sentimentos positivos acerca de outras pessoas, aprovação, afeto, amor, elogio (Caballo, 2003).
E com base de estudos na área foi comprovado a eficácia do uso do THS para o tratamento da depressão, havendo uma melhora significativa no quadro.


Por Victor Fernandes


*Imagem retirada da Internet

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Habilidades Sociais

Habilidades sociais, empatia, resiliência, assertividade, fatores de proteção e fatores de risco dentre outros termos hoje em dia estão à tona, tanto no senso comum, quanto no meio acadêmico e de pesquisas. De um campo teórico recente, comparado a outros da ciência, ou da própria psicologia, instigam profissionais da área e a leigos que tenham interesse pelo assunto.
Para vários autores da área, os termos "assertividade" e "habilidades sociais" por um lado e  "treinamento de assertividade" e "treinamento de habilidades sociais" por outro lado, são equivalentes, dessa forma então podemos perceber que um comportamento assertivo para uma determinada situação, é inerente de habilidades que um indivíduo tem acerca de algum campo de sua vida.
De acordo com Caballo (1986), o comportamento considerado hábil é esse conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um determinado contexto interpessoal que expressa sentimentos, atitudes, desejos opiniões ou direitos desse indivíduo de modo adequado à situação, respeitando os sentimentos dos demais, enquanto resolve problemas imediatos da situação e minimiza a probabilidade de problemas futuros. E para melhor explicar o conceito do comportamento social hábil, implica em observar três componentes da habilidade social, que seriam: uma dimensão do comportamento (tipo de habilidade), uma dimensão pessoal (variáveis cognitivas) e a dimensão situacional (contexto ambiental) (Caballo, 2003).
Situações diversas necessitam de respostas diversas para que o comportamento seja considerado assertivo, seja para "criar uma relação intima", quanto para "pedir informações", "ter uma conversa agradável" e por aí adiante. Para entender melhor as respostas emitidas que abrangem as habilidades sociais, é importante analisar as doze dimensões comportamentais que são mais aceitas na teoria, que são: Fazer elogios; Aceitar elogios; Fazer pedidos; Expressar amor, agrado e afeto; Iniciar e manter uma conversação; Defender os próprios direitos; recusar pedidos; Expressar opiniões pessoais, inclusive de desacordo; expressar incomodo, desagrado ou  enfado justificados; Pedir mudança de conduta do outro; desculpar-se ou admitir ignorância; Enfrentar críticas. Embora essas sejam as mais aceitas, ainda existem outras, que também são aceitas na teoria.
E eis que surge a indagação, como nós formamos um padrão de comportamento que pode ou não ser assertivo? Como criamos padrões de comportamentos distorcidos para uma realidade, um contexto social? Não há dados que corroborem com exatidão essas perguntas, mas a infância é um período crítico na aquisição de tais comportamentos. Dessa forma analisamos não só fatores biológicos, genéticos, mas também fatores aprendidos nas relações, com a escola, grupo de amigos e os pais ou criadores. Os Pais, pois de acordo com o estilo parental de cada um, é criado relações com seus filhos e formas com as quais vão formar o modo como estes agirão em sociedade, amigos, escola e grupos sociais como fortes formadores de opinião e conduta, fatores biológicos e genéticos, como formadores do temperamento.
E para um padrão de comportamento aprendido, é possível reaprender, treinar outras formas de se atuar diante a uma situação. Então, depois de entender um pouco o que são habilidades sociais, é hora de entender um pouco sobre o treinamento.
O treinamento de habilidades sociais pode ser realizado em forma individual, e em grupo, pode ser feito de forma preventiva, ou com o indivíduo já em tratamento de algum transtorno, como depressão, ansiedade, uso abusivo de substancias e etc. Pode ser feito em todas as idades. O que é visado em todos esses casos, são adequar comportamentos desadaptados e disfuncionais em relação a um grupo, a uma realidade, a uma sociedade, deixando comportamentos mais assertivos e adaptados para cada realidade, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos em tratamento/treinamento.
Tentando voltar um pouco mais ao tratamento clínico de alguns transtornos, vemos que alguns autores concordam em dizer que "indivíduos que apresentam déficits extremos no funcionamento social foram encontrados, em geral, em instituições mentais ou reformatórios, dependendo de quão aceitáveis, desadaptavas ou antissociais tenha sido identificado teus comportamentos" (Eisler e fredericksen, 1980, p.4).

Mas não somente a casos principais de psicopatologia, mas também são associados a comportamentos disfuncionais como, problemas sexuais, abuso de álcool, problemas relacionais, impulsividade, comportamentos antissociais, mau cumprimento de regras e leis entre vários outros.


Por Victor Fernandes

*imagem retirada da internet

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Foco no presente

       Onde você geralmente se encontra? No passado, no presente ou no futuro? Há uma frase que diz que "depressão é excesso de passado em nossas mentes e ansiedade é excesso de futuro".
       Fato é que ficar se culpando por coisas passadas ou mesmo se lamentando por um passado que era muito melhor gera um rebaixamento de humor; por outro lado, a ansiedade é gerada por um excesso de preocupações quanto ao futuro. Não estou dizendo que não podemos nos recordar de coisas que se passaram ou que não devamos nos preparar para novas situações, o problema ocorre quando "estacionamos" em um desses pólos e esquecemos de viver o momento presente. Dessa forma, esquecemos de valorizar as pessoas que estão ao nosso redor, não apreciamos verdadeiramente os momentos pelos quais passamos e, obviamente, adoecemos.
        Quando nosso funcionamento está fortemente em um dos pólos, concentrar-se no presente não é algo muito fácil, portanto algumas técnicas podem ser de grande auxílio. O Mindfulness é uma delas, análogo à meditação, para praticá-lo é necessário retirar alguns minutos de seu dia, às vezes 5 ou 10 minutos já podem ser suficientes. Esta técnica consiste em se focar em sua respiração durante esse tempo e deixar os pensamentos passarem; os pensamentos tentarão "roubar" sua atenção, mas você simplesmente volta o foco para sua respiração, sem qualquer tipo de julgamento.
        No entanto, qualquer atividade que te "prenda" no momento presente é de grande auxílio, hoje uma atividade que está sendo bastante difundida é a dos livros para colorir, ao se focar na atividade você está focando no presente; mas você pode preferir correr, fazer quebra-cabeças, limpar a casa, enfim... perceba qual atividade faz você retirar o foco de preocupações ou de lembranças passadas e comece a trazer isso para o seu dia-a-dia, ou seja, quando perceber que está se preocupando ou lamentando demasiadamente volte o foco para aquilo que está fazendo.
         Atenção, não é fugir dos problemas e preocupações, mas não deixar aquilo que não tem solução, ou pelo menos solução imediata ou até mesmo o que pode ser resolvido com o tempo tomar conta de você, retirá-lo de coisas que merecem sua atenção; o mesmo com os pensamentos focados no passado.
         Se necessário, procure ajuda!

Para finalizar deixo uma frase do grande Buda:

"O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sábia e seriamente o presente."


Por Mayla Diniz


*imagem retirada da internet

domingo, 26 de abril de 2015

Estresse

         Como você tem levado sua vida? Como tem se sentido ultimamente? Tem estado tranquilo, fazendo aquilo que é possível sem abusos? Ou cada dia mais sente dificuldade, sente-se sem forças, esgotado? Você pode estar estressado.
            É bem comum no dia de hoje ouvirmos sobre estresse, mas será que damos a real importância para ele ou temos banalizado o termo? Quantas pessoas vão a um consultório médico em busca de respostas e acabam por escutar que seu problema é psicológico e recebem um remédio para auxiliar no momento difícil? Já aconteceu com você? Pois é, a impressão que dá que é o estresse tem sido visto como algo comum hoje em dia, algo que todo mundo tem e é só tomar um remédio para ficar tudo bem; não é assim, pelo menos não deveria ser.
           É verdade que o estresse está presente no nosso dia-a-dia, qualquer mudança nos gera estresse, seja ela boa ou ruim e é impossível acabar com ele, mas é possível controlá-lo. Taquicardia, hipertensão, dores musculares, dores de cabeça, sudorese, dificuldade de concentração, são alguns dos sintomas presentes em um quadro de estresse, ou seja, quando o indivíduo tem que se adaptar a alguma situação.
           O problema é que o cortisol, um hormônio produzido como resposta ao estresse, quando em níveis elevados, causa diversos problemas em nosso corpo, é responsável por matar células cerebrais e causa problemas como na memória, alterações no humor (o indivíduo fica mais irritadiço, agressivo), fadiga, entre outros. Quando em fase de exaustão a pessoa acaba por ter sua imunidade abaixada, o que torna o corpo propenso a adquirir diversas doenças.


          Portanto, se tem se sentido estressado, procure ajuda, pare um pouco, diminua seu ritmo, trate bem o seu corpo, previna-se de maiores complicações que podem ser geradas por altos níveis de estresse.
            Algumas dicas:
1)      Diminua seu ritmo de trabalho: você pode fazer isso parando de levar trabalho para casa ou parando de ficar mais tempo do que deve no escritório;
2)      Tenha mais momentos para relaxar: você não precisa estar produzindo o tempo inteiro em sua vida, momentos para descanso devem ser aproveitados. Saia com sua família, faça um passeio diferente, tire algumas horas no dia para relaxar (mas procure relaxar de verdade, nada de ficar se culpando, pois deveria estar trabalhando);
3)      Faça meditação: muitas pessoas fogem da meditação, pois acreditam que vai tomar grande tempo de seu dia, o que não é verdade. Em algumas práticas, parar por 5 minutos já é suficiente; além disso, meditação não é nenhum bicho de 7 cabeças; existem algumas formas de meditar e uma delas é só se focar na sua respiração, isso mesmo, foque na entrada e saída do ar, no seu abdômen contraindo e relaxando e se algum pensamento passar, simplesmente volte a se focar na respiração; vamos começar logo?
4)      Faça atividade física: deixe algumas horas no seu dia para se dedicar a uma atividade física, ela vai te ajudar a se sentir mais relaxado;
5)      Organize-se: retire o que estiver demais na sua semana, monte um quadro de horários com tudo o que você tem que fazer e aproveite para colocar um momento para relaxar;
6)      Diga o que te incomoda: muitas vezes acabamos deixando de falar coisas que nos incomodam e o que você guarda vai virando uma bola de neve; coloque para fora, seja com quem te magoou ou, se não for possível, desabafe com amigos, ou pessoas nas quais confie;
7)      Olhe mais para você: você tem dado a devida importância às suas necessidades ou acaba se dedicando mais a outras pessoas? É importante cuidar das nossas relações, mas às vezes esquecemos de nos cuidar;
8)      Se avalie: você se cobra demais? Será que há essa necessidade de cobrança extrema? O quanto ela tem te ajudado? 


Por Mayla Diniz
*Imagem retirada da internet

sábado, 18 de abril de 2015

Como você lida com suas emoções?

Tem pessoas que se dizem emotivas, outras tem orgulho de dizer que não se deixam abalar pelas emoções, outras lutam para se manterem constantemente calmas. Fato é que, independente de onde se encaixe, você sabe lidar com suas emoções?
Não são poucas as pessoas que não foram ensinadas sobre o que acontece em seus corpos, isso faz com que sejam obrigadas a lidar sozinhas e, muitas vezes, o que era útil antes começa a causar sofrimento com o passar do tempo. Suponhamos que quando criança, ao se sentir ansioso, seus pais ignorassem sua emoção, você aprende que o certo é então ignorá-la, até que em um certo momento da vida se torna um transtorno com o qual você não consegue lidar; ou você foi reforçado por se focar muito mais em seu desempenho e por inibir qualquer necessidade emocional, você se torna uma pessoa muito rígida e pode ter uma série de sintomas psicossomáticos pelo corpo (aquelas dores que nunca tem uma causa, por exemplo).
Poderia dar inúmeros exemplos, fato é que a forma como lidamos com uma emoção pode muitas vezes piorar o momento difícil pelo qual estamos passando. Ser emotivo é bom, mas em excesso pode acabar fazendo com que nos lamentemos mais do que procuremos uma saída para os problemas; da mesma forma, não aceitar as emoções ou ter dificuldade em externa-las pode fazer com que nos sintamos sufocados.
As emoções geralmente são divididas em emoções positivas (que nos trazem boas sensações) e emoções negativas (que nos trazem sensações mais difíceis de serem sentidas), independente da categoria na qual se encontrem elas são mais do que necessárias em nossa vida. Se não sentíssemos ansiedade, por exemplo, correríamos o risco de sermos atropelados ao atravessar uma rua, se não sentíssemos raiva poderíamos ser constantemente abusados sem nos importar. 
É preciso avaliar, portanto, o que te faz inibi-las, muitas vezes são pensamentos e crenças distorcidas que só mantém o sofrimento. Portanto, se você tem dificuldade em deixar a emoções fluírem aceite-as, tanto as negativas, quanto as positivas, aceite as tristezas, a ansiedade e os estados de relaxamento e felicidade. 
Existem alguns mitos envolvendo as emoções, como por exemplo:
1) "Se eu deixar a emoção negativa fluir ela crescerá a ponto de eu não ter mais controle": pelo contrário, quanto mais você segura uma emoção por não achá-la certa de ser sentida, por não aceitá-la, mais ela se manterá dentro de você; as emoções são como uma onda quando fluem bem, atingem um pico e logo decaem;
2) "Se eu sentir uma emoção negativa significa que sou fraco": como dito antes, emoções devem ser sentidas, "ser forte na vida" deve dizer muito mais de como você enfrenta os momentos difíceis do que se você chora diante deles; posso chorar todos os dias porque algo de ruim me aconteceu, mas se procuro solucionar o problema isso diz de muita força;
3) "Se eu expor meus problemas e emoções para as pessoas serei chato/"reclamão"": todos nós precisamos de um ombro amigo e quanto mais expomos algo difícil que nos acontece e como estamos nos sentindo diante da situação, mais ela tende a se enfraquecer ou a se tornar mais fácil de lidar; criam-se bons momentos para trocas de experiências. E se você é do tipo que escuta os problemas dos outros sem achá-los chatos e "reclamões", por que eles acabariam achando isso de você? E por que você não teria o direito de se expor também?

Se você tem outros mitos pense sobre eles, não tenha medo de sentir suas emoções, elas são importantíssimas e são daquelas provas de que estamos vivos; aceite seu corpo, se aceite, viva! Se ainda sim for muito difícil para você, procure ajuda profissional!


Por Mayla Diniz
*Imagem retirada da internet

terça-feira, 14 de abril de 2015

Não deixe os mitos tomarem conta de você!

Ir a um consultório psicológico pode ser um passo recheado de mitos e ideias distorcidas, o que geralmente faz com que acabemos postergando a ida a um psicólogo até que não tenha mais jeito e a vida deixe completamente claro que sozinho vai ser mais difícil de continuar. É importante que percebamos esses mitos que carregamos para que procuremos ajuda o mais rápido possível. Abaixo alguns exemplos baseados no que já ouvi de meus próprios pacientes:

1- "Fazer terapia é um sinal de fraqueza, afinal eu deveria saber lidar com minhas questões sozinho/a": a verdade é que ser capaz de admitir que precisa de ajuda é um grande sinal de força por sermos capazes de vencer nosso orgulho; além disso é mais do que natural não darmos conta de absolutamente tudo em nossa vida, somos seres sociáveis e alguma hora vamos precisar de alguém para nos auxiliar;

2- "Eu não preciso de psicólogo, tenho meus amigos para desabafar": ter amigos para desabafar é algo excelente, sem dúvidas, mas algumas vezes não supre aquilo que precisamos. Os amigos tendem a falar de suas perspectivas, acabam por dar conselhos baseado no que pensam a partir do que viveram, o profissional vai ser capaz de te ajudar através daquilo que for melhor para você, com base em conhecimentos e técnicas para além de aconselhamento pessoal;

3- "Tenho medo de falar sobre questões difíceis e acabar ficando pior do que já estou": existe o mito de que falar sobre as emoções ou senti-las vai fazer com que seja ainda mais dolorido passar pelos momentos difíceis; o que sabemos é que ocorre exatamente o contrário. As emoções funcionam de forma que quanto mais as guardamos ou as evitamos mais elas crescem ou ficam escondidas até que explodam; a questão é: não adianta evitá-las, elas estão aí e você as está sentindo, deixar que elas fluam faz com que você se livre do peso de carregá-la e possa lidar mais facilmente com a questão que a trouxe. Emoções não são erradas de serem sentidas, são necessárias e a dor é muito maior quando tentamos escondê-las;

4- "Eu não vou saber me expressar": não se preocupe com isso, você não precisa falar absolutamente tudo na primeira sessão de terapia e o profissional vai te auxiliar à medida que você for contando o que se passa;

5- "Não quero ficar refém de terapia para o resto da vida": o tempo de terapia vai da demanda de cada um, não é possível basear a sua terapia através do tempo que algum conhecido levou para receber alta; além disso, a ideia da Terapia Cognitiva é que o paciente se torne o seu próprio terapeuta;

6- "Vou ter que ficar falando só de coisa ruim": imagina!!! Nós adoramos ouvir as coisas boas também, rs... sem contar que hoje está sendo amplamente utilizada a Psicologia Positiva, que busca conhecer e desenvolver suas potencialidade. Claro que "falar sobre coisas ruins" faz parte do processo e é necessário para que tenhamos mais força para lutar pelas coisas boas e o que nós mais queremos é ver o bem estar de nossos pacientes.


Pode ser que você tenha outros pensamentos que o atrapalhem a ir à terapia, mas espero que esses exemplos já o auxiliem a pensar melhor antes de desistir. Terapia é um lugar de escuta, amparo, auxílio, crescimento; não espere até que seu problema se torne totalmente insuportável; vença seus medos, se preciso converse com alguém que já fez ou faz.


Por Mayla Diniz
*Imagem retirada da internet